É duro não se sentir incluída ou ser julgada pelo tipo de cabelo. Não à toa, milhares de mulheres recorreram a alistamentos capilares ao longo de muitos anos. Quem bom que hoje temos a escolha de usar o cabelo do estilo, tamanho, textura que quisermos. Que bom que hoje podemos ir à uma loja e ficar em dúvida de qual produto de cabelo levar pra casa.
A leitura de “Esse Cabelo” é sobre a história de Mila, mas é sobre a história do meu cabelo e de qualquer uma que passou por processos químicos que desestruturam e escondem seu eu natural. Por muito tempo ficamos reféns de “qual penteado fazer?” Para durar mais ou permitir que você acesse certos espaços.
Para quem discorda, a pesquisa “Estudo de Pesquisa no Local de Trabalho – Crown 20234, realizada pela Dove em parceria com o LinkedIn, apontou que duas em cada três mulheres negras alisam o cabelo para ir à uma entrevista de emprego, e as que mantêm o cabelo natural, tem duas vezes mais chances de sofrer micro agressões no local de trabalho, comparadas a mulheres negras com cabelos mais lisos. Então, sim. O cabelo é uma questão social!
Mila conta tudo isso, que além de ficar na dependência de profissionais que acreditam saber o que é melhor e apelam pra ferros quentes e outras coisas mais.
Mila é uma persona, mas a história é da própria Djaimila, que abre a narrativa dizendo sobre essa corrida em busca do “melhor cabelo” e com ela as frustrações.
Em “Esse Cabelo”, não vemos soluções pra esses dilemas, tanto é que o livro encerra com uma dúvida. Mas, o fato é perceber que uma pessoa que viveu entre África e Portugal compartilha das mesmas angústias que você, mas as mesmas angústias estão se retraindo com o tempo, com as novas gerações, atualizações do mercado e a própria autoestima.

