Jogos Vorazes foi um sucesso teen da década de 2010 que alavancou as distopias adolescentes. Suzanne Collins é a autora dos livros que narra a história de Katniss Everdeen, uma adolescente que se torna um símbolo de resistência contra uma opressora civilização pós apocalíptica conhecida como Capital de Panem. Dentre muitos mistérios, essa franquia rendeu boas histórias sobre luta contra opressão e problemas sociais advindos da guerra como fome e pobreza. Os livros carregam muita violência e, apesar dos filmes serem mais brandos e também focarem muito em um triângulo amoroso que não funciona muito – pelo menos não para mim – Jogos Vorazes certamente é uma ótima história sobre futuro distopico. E também assustadora considerando que o futuro da saga não é muito diferente da nossa realidade…
Pois bem, os livros renderam 4 filmes principais e 1 spin-off, esse último estando ainda disponível no cinema (e logo mais vamos ter crítica aqui no site!). A trancos e barrancos, a franquia se tornou um sucesso mundial e o The Feminist Patronum preparou um post especial para relembrar o desempenho dos primeiros 4 filmes.
Jogos Vorazes (2012)

A primeira adaptação de 2012 foi Jogos Vorazes (The Hunger Games) que narra os acontecimentos do primeiro livro. Aqui, somos apresentados a triste realidade de Katniss (Jennifer Lawrence). Ela e sua família moram no distrito mais pobre de Panem: o Distrito 12, conhecidos apenas por fornecer minérios para a Capital. Todos os anos, dois adolescentes de cada distrito são obrigados a participar de um torneio onde apenas uma criança poderá sair viva. Sendo assim, Katniss se voluntaria para ir no lugar de sua irmã, Prim, junto com Peeta (Josh Hutcherson). Juntos, os dois lutam para tentar sobreviver ao terrível Jogos Vorazes.
Esse primeiro filme foi uma tremenda novidade. Uma distopia adolescente cujo premissa é extremamente violenta, afinal estamos falando de crianças e adolescentes entrando em um ringue de sobrevivência. O grande diferencial de Jogos Vorazes é que sua temática aborda questões sociais que muitos filmes do gênero acabam não tendo o mesmo controle. Os jogos, em si, já são uma política de pão e circo cujo o cunho é voltado para o controle populacional através do medo. Quem assiste Jogos Vorazes pensando apenas no triangulo amoroso, nem imagina que a real mensagem é uma narrativa sobre rebelião e resistência.
Com seu humilde orçamento de 78 milhões, o Jogos Vorazes não é um filme totalmente ruim, mas com certeza não tem a qualidade do próximo que vamos falar aqui.
Jogos Vorazes: Em Chamas (2013)

Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire) é continuação direta que mostra as consequências dos conflitos do primeiro filme. Com um orçamento mais pomposo, de 130 milhões de dólares, Em Chamas é visivelmente melhor em questões técnicas. A direção de Francis Lawrence fez diferença, tendo em vista que esse aqui é o melhor filme da franquia.
Claro que orçamento não dita qualidade, mas para um filme como Em Chamas, ajudou a montar o criativo cenário do Massacre Quaternário, onde os desafio inventivos demonstram uma ameaça muito maior que a do primeiro jogo. Além disso, as cenas de ação são mais limpas visto que deixaram de lado aquela câmera tremida do antecessor.
Pensando nas ações de Katniss, Em Chamas explora muito mais a ansiedade dos Distritos por se rebelar contra a Capital. O perigo iminente de estourar uma guerra onde Katniss, uma adolescente, é o símbolo que dá esperança aos desamparados é uma das temáticas que enriquece a trama de Em Chamas. Sem contar que expande mais seu universo, já que conseguimos ver o ponto de vista de outros tributos, a dinâmica de outros distritos e, principalmente, a grande reviravolta da história que traz a franquia para um outro patamar.
Jogos Vorazes: A Esperança pt. 1 e 2

O livro A Esperança foi repartido ao meio em dois filmes – modinha da época para copiar Harry Potter. Eu, particularmente, não acho que tinha necessidade disso, pois os dois filmes acabaram arrastados e não tiveram o mesmo êxito de Em Chamas, mas, ainda assim, é interessante o desfecho.
A Esperança parte 1 (2014) e parte 2 (2015) abandona o lado aventuresco da franquia e passar a se assumir como um filme de guerra. Os conflitos com a Capital eram inevitáveis e Katniss assume seu lugar como o Mockinjay. Entretanto – e novamente serei obrigada a tocar nesse ponto – o triangulo amoroso insistiu tanto em existir que muito do potencial do filme foi perdido para manter o clima adolescente.
Outro fator que vale a pena ressaltar é que muito do livro foi amenizado devido a censura do estúdio, cujo filmes foram pensados para atingir todos os públicos. Isso não impede nem diminui a qualidade da obra. Entretanto, a ameaça da Capital não muda muito de um filme para outro, menos ainda da possível vilã que substitui a presença do Presidente Snow.
Em suma, Jogos Vorazes é uma franquia de sucesso mundial cujo história foge do comum encontrado no meio das distopias adolescentes. Ainda que não deixe de abordar romance, consegue seguir por temáticas fortes que rementem ao momento atual que vivemos. Gary Ross, diretor do primeiro filme, conseguiu dar uma introdução aceitável no cinema, mas foi Francis Lawrence que conseguiu dar mais personalidade aos filmes.

