‘Pobre Criaturas’ – Às vezes, apenas seguir seus desejos pode te garantir 11 indicações ao Oscar 

Tive a oportunidade de ver ‘Poor things’ (Pobres Criaturas) no cinema duas vezes e foi…inspirador e estonteante, o que tornou difícil  escrever uma crítica que resumisse sua grandiosidade pois, por debaixo de tanta fantasiosidade e cenas lúdicas, conseguimos nos conectar com ela: a grande Bella Baxter (interpretada, pela já Oscarizada, Emma Stone), uma mulher que cresce e evolui diante de nosso olhos, de uma maneira que nos faz pensar o quão grande se tornaria uma mulher que não se vê limitada pelo que esperam dela. 

Este longa se encontra indicado a 11 oscar – incluindo melhor filme, atriz, direção, roteiro e muitos outros de âmbito técnico – o que se explica muito bem quando pensamos no primor de roteiro, atuações e direções que o longa entrega; Yorgos Lanthimos é um diretor que aqui entrega uma história sobre amadurecimento e liberdade com um domínio, e, além de saber manipular direitinho o espectador, ele condensa o surrealismo e o humor de uma maneira o que torna essa história leve e muito hipnotizante; Portanto acompanhar a Bella baxter agindo conforme seus desejos, se torna algo inusitado, natural e muito espontâneo. 

Ela vai quase que institivamente para onde seu coração manda, se metendo  em situações inusitadas e por vezes, muito engraçadas e com alegria digo que a atriz Emma Stone transpassa essa energia livre espontânea e expansiva de forma brilhante e muito corporal. Afinal, se não fosse pelo seu carisma, o filme não se sustentaria e poderia cair no chato e sem graça. 

Agora, falando dos aspectos técnicos, o filme trabalha muito em cima de uma estética steampunk – um gênero que une passado e futuro, além de misturar a estética vitoriana com a tecnologias a vapor – que traz um visual colorido, vivo e muito estiloso para as telas, muitas de suas cenas poderiam ser confundidas com obras de arte e o figurino é tão interessante que dá vontade de se vestir igual. 

Fora isso, ao comunicar um mundo tão surrealista e diferenciado há uma permissibilidade para brincar com a personalidade dos personagens e deixá-los mais caricatos quando assim for necessário, o que é ótimo para imersão e compreensão quase que total da história apresentada ao público.

O único problema de todo o longa, se encontra em seu último ato, ali vemos uma decisão do roteiro de reabrir uma subtrama não tão interessante assim, tornando essa experiência uma das mais chatas do filme, pois até então ele vinha caminhando para um final. Compreendo sua necessidade, mas ficamos com a sensação bem grande de “ai precisava mesmo?”.

‘Pobres Criaturas’ já se encontra disponivel nos cinemas!