Crítica | Coringa: Delírio a Dois

A continuação do sucesso de 2019, Coringa: Delírio a Dois, finalmente chegou ao Brasil na quinta-feira (3).  Apesar de todas as críticas negativas, o filme tem, sim, seus pontos positivos.

Dirigido por Todd Phillips, Delírio a Dois é uma ousada sequência que expande o universo sombrio introduzido em Coringa (2019), mantendo Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) como a figura central de uma narrativa complexa. Na trama, que se passa pouco tempo após os eventos do primeiro filme, acompanhamos o julgamento de Fleck pelos homicídios que cometeu. Durante seu período em Arkham, o protagonista conhece Lee, e eles rapidamente iniciam um relacionamento.

Joaquin Phoenix, mais uma vez, entrega uma atuação visceral e transformadora, mergulhando nas profundezas do sofrimento e da loucura de Arthur. Sua performance é ainda mais amplificada pelas interações com Lee, vivida por Lady Gaga, que surpreende com uma interpretação que transita entre a vulnerabilidade emocional e a explosão de uma mente tão fragmentada quanto a do protagonista.

Além das atuações, os atos musicais são um espetáculo à parte, encaixando-se perfeitamente na narrativa e criando uma ilusão que transcende o mundo real, transportando os personagens para outra realidade. Ao prestar atenção nas letras, fica claro como tudo se conecta. E, obviamente, a presença da voz de Gaga eleva ainda mais a experiência.

No entanto o filme tem, sim, pontos a melhorar. Além do final polêmico e da falta de cenas de ação, em alguns momentos a narrativa se torna cansativa e arrastada, insistindo em estender atos completamente desnecessários. E apesar das críticas sobre a quantidade de números musicais, devemos lembrar que o filme é, de fato, um musical.

No geral, Coringa: Delírio a Dois é uma obra divisiva, que foge completamente do básico e esperado de uma história em quadrinhos. Pode não ter o mesmo impacto do original, mas estabelece um estilo único e uma adição inovadora ao universo de Arthur Fleck.

O longa está em cartaz em todos os cinemas do Brasil.