Crítica “Barbie” | Filme funciona incrivelmente bem!

Nesse ano, poucas estreias estão empolgando e repercutindo tanto nas redes sociais quanto a de “Barbie”. A mística que paira no filme é pautada em cima de uma dúvida sobre como a história da icônica boneca será contada. Ainda mais quando se tem interferência da companhia Mattel, que, por ser uma grande marca, corre o risco de transformar esse longa em uma propaganda safada cheia de referências comerciais e que se esquece de contar uma história envolvente e carismática. Alegremente temos um trunfo nisso tudo: A diretora e Roteirista Greta Gerwig, conhecida por “Lady Bird” e “Adoráveis mulheres” (filmes envolventes e que falam de mulheres com muita assertividade e emoção), que consegue conciliar humor, drama e muita “galhofagem” com maestria. Mas afinal: Barbie é bom? 

Sim, Barbie realmente consegue ter êxito em tudo que se propõe a mostrar e discutir e não só isso, mas também, devido ao tom predominantemente cômico (e uma ótima cena de início e ambientação), é permitido que momentos de ironia, diálogos expositivos e elementos lúdicos passem como pontos positivos de roteiro, ao invés de serem questionados por quem assiste. Por exemplo, a partir do momento em que o espectador vê uma Barbie flutuando até seu carro ou nota que os personagens estão atuando de forma mais alegre e teatral, possibilita que mais à frente se utilize dessa mesma fantasia para construir suas sequências de ação, musicais e drama. 

Quanto as sensações durante a sessão e a mensagem que o longa carrega, nos é apresentado aqui um discurso feminista fortíssimo e bem as claras. Grande parte da trama trás consigo questionamentos sobre como nós, mulheres, lidamos ao ter nosso primeiro contato com o feminismo e o mundo patriarcal, mas o subtexto não para por aí, pode haver uma interpretação sobre crescimento e as mudanças de pensamento que desenvolvemos na saída de nossa infância para a “vida real” onde, dependendo do quão inocente o indivíduo é, pode acabar se tornando suscetível, recorrendo assim, a pensamentos muitas vezes extremistas. Um personagem que representa isso muito bem, é o Ken, interpretado pelo ator Ryan Gosling, que é trabalhado com muito humor (mérito do ator, aliás) e que consegue transmitir fragilidade e pureza com tanta honestidade preenchendo a tela e se tornando uma ferramenta de roteiro tão decisória quanto a própria Barbie. 

Para finalizar, não seria possível deixar de lado a atuação de Margot Robbie, esta atriz que consegue carregar tudo que a “Barbie estereotipada” precisa com a mesma intensidade e rapidez com que ela consegue se desmontar a favor das necessidades narrativas, é verdadeiramente hipnotizante acompanhá-la em tela e vê-la não aceitar ser colocada dentro de uma caixa.

“Barbie” é um filme muito feminino, no sentido mais empoderador da palavra, além de ser muito bem realizado esteticamente, traz consigo muitas discussões que irão reverberar de maneira diferente em cada pessoa que for assisti-lo. Parece besteira e um pouco inacreditável dizer isso, mas sim, este é o filme do ano (ou pelo menos um dos melhores do ano) e estreia dia 20 de julho de 2023, somente nos cinemas.