Crítica | Da Mágia à Sedução 2 – Feitiço do Amor

Da Magia à Sedução 2: Feitiço do Amor chegou aos cinemas e o The Feminist Patronum conferiu na pré-estreia como foi a continuação e revival 28 anos depois do primeiro filme. Essa nova história aborda o legado das irmãs Owens, mostrando três gerações de bruxas: as tias-avós (Dianne Wiest e Stockard Channing), as irmãs protagonistas, Sally e Gilly, e as filhas de Sally. Além de carregarem a magia, elas vivem a maldição de não poderem se apaixonar por homens, pois a morte chega cedo até eles. É aqui que as bruxas Owens correm atrás de quebrar o feitiço de uma vez por todas.

O primeiro filme Da Magia à Sedução (Practical Magic, no original) foi lançado em 1998 e era uma história simples envolta de personagens femininas muito curiosas. O pequeno coven escondia o segredo da maldição, mas, ao longo do filme, outras camadas se desenvolviam como o luto, relacionamento abusivo e, principalmente, relações entre mulheres – o amor que vai além do romântico. Na época, o filme foi um fracasso no cinema, mas isso não representa sua qualidade, que é belíssimo em conceito e estética. Algumas coisas ficaram datadas, mas é uma ótima obra sobre o universo feminino.

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É de se questionar os motivos para trazer algo que não foi muito popular na sua época de volta às telonas em 2026. Podemos apontar o esforço de Nicole Kidman no incentivo a mulheres na indústria cinematográfica, no seu esforço em trabalhar com mais mulheres ao longos dos anos, podemos lembrar que o filme original foi dirigido por um homem, Griffin Dune, e esse de agora por uma mulher, Suzanne Bier, podemos apontar o saudosismo em relembrar o aesthetic dos anos 90 aos anos 2000…

Mas a verdade é que o cinema atual não está no mesmo pé e Hollywood precisa virar essa página. Não tem como reviver os mesmos aspectos que o cinema vivia na época por um motivo muito simples: os tempos são outros. E pensar nos revivals que vem acontecendo recentemente nos coloca de frente com as problemáticas do cinema de hoje.

Da Magia à Sedução 2 é um produto do audiovisual atual. Ele abandona a sutileza do antigo para deixar mais escancarado o uso da magia, usando de efeitos visuais para deixar mais do que explicito quando as bruxas orquestravam seus feitiços. A construção de uma mitologia por trás da família Owens implica uma expansão na história que outrora era uma simples odisseia sobre mulheres buscando o desejo de amar de serem amadas. Agora, o buraco é mais embaixo. Existem bruxos, videntes, feiticeiros e livros amaldiçoados.

As filhas de Sally, Kyllie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams) contemplam as piores partes. O arco de Joey King, compartilhado por Xolo Maridueña, já começa estranho por não baterem as suas respectivas idades e o tempo entre os acontecimentos do primeiro filme e esse. Mas, ignorando o elefante na sala, essa história de amor não poderia ter sido mais genérico. O plot é chato, desconexo, e cansativo de acompanhar, principalmente porque Joey King não é uma atriz tão boa e o roteiro certamente não estava ao seu lado.

É nesse mesmo ponto que cito as participações de Solly McLeod e Lee Pace que nada contribuem para melhorar o andar da carruagem. São personagens aleatórios que desviam o filme para outras camadas pouco desenvolvidas, o que acaba deixando muito “de graça” essas aparições.

Quando eu saí do cinema, brinquei que me senti assistindo uma versão remasterizada de Os Feiticeiros de Weverly Place por conta dos exageros ao longo da trama. A verdade é que enquanto o longa se mantinha na relação de Sally (Sandra Bullock) e Gilly (Nicole Kidman), eu me conectava com suas vivências, mas quando partia para outros pontos de vista, eu me vi desconectada da história. Contudo, admito que fui conquistada pelo trabalho de arte, em especial os cabelos, maquiagem e figurinos que mantém uma estética whimsical com uma pitada dark.

Da Magia à Sedução 2: Feitiço do Amor é uma tentativa frustrada de atualizar seu antecessor, mas acaba caindo em armadilhas que o deixam problemático de assistir. É um filme que tinha potencial de contar a história dessas mulheres fabulosas amadurecidas após 28 anos, mas se atenta demais em seguir uma cartilha que o torna só mais um revival genérico.