De adolescente perdida a adulta decidida, Kitty e seus amigos começam a se aventurar nas
decisões da vida adulta. Até LJ encontra seu final feliz, em Com carinho, Kitty
Com carinho, Kitty, encerraria a tríade do universo de Jenny Han, se não fosse pelo filme de O Verão que Mudou a Minha Vida. Mas, mesmo não sendo um encerramento da saga, seria um final perfeito para o mundinho criado pela autora.
Mesmo com a primeira e segunda temporadas andando de forma segura, com alguns exageros em seus roteiros, a terceira temporada corrigiu isso e ainda melhorou. Esse novo capítulo, finalmente, deixa de lado a comédia vergonha alheia, que sempre era imposta na protagonista e mostra o quanto os personagens amadureceram depois de tantos altos e baixos, além dos clássicos problemas que todo adolescente tem que lidar em seu momento de descobertas.
Da mesma forma que Para Todos Os Garotos: Agora e Para Sempre, a última temporada mostra o amadurecimento dos adolescentes chegando aos seus 18 anos, sendo obrigados a tomar a primeira decisão mais importante de sua vida, onde vão estudar e qual sua escolha de carreira. Diferente de muitas séries de comédia romântica, essa não nos deu ansiedade pelos acontecimentos que se desenvolveram ao longo da temporada. Kitty está muito mais madura e sabe o que quer e está decidida a riscar todos seus itens da lista, principalmente seu relacionamento com Min ho, o qual tivemos uma boa dose de romance, satisfazendo a falta que sentimos disso na segunda temporada.
O foco em diversas histórias, geralmente é cansativo para os fãs de romance, mas nessa temporada, o desenvolvimento deixa tanto os personagens quanto os fãs satisfeitos com seus enredos. Com Yuri encontrando seu sonho como estilista e Dae encontra seu propósito após não entrar em sua faculdade dos sonhos, que tem seus papéis invertidos e mostram como a vida pode ser diferente dependendo de seus privilégios. Nesta temporada, seus professores não são mais seus inimigos e tem seus próprios momentos de revelação, com uma descoberta digna de plot twist surpreendente. Esse plot nos chocou em diversos momentos, e mostrou que até uma série “bobinha” de romance pode conter momentos dramáticos, quando bem desenvolvidos.
O único ponto da história que incomoda foi envolvendo o personagem de Q e seu triângulo amoroso, que geralmente é o personagem mais estável, tem sua vida balançada. Apesar de gostar de triângulos amorosos, esse passa toxicidade e estereótipo que deveria ter sido superado, e ainda envolve uma violência desnecessária, que não é cabível no roteiro de Com carinho, Kitty. Mesmo que a tentativa não tenha sido agredi-lo, acredito que isso não precisava ser endossado.
Apesar disso, nós temos a tão aguardada participação de Lara Jean Covey, que é mais importante na trama do que uma mera participação. A presença de LJ traz conforto e surpresas agradáveis para a trama, que são muito bem-vindas (Por mim, eu continuaria a história de LJ e Peter, após os acontecimentos de Com carinho, Kitty).
Essa temporada teve um final perfeito, mas a cena pós-créditos sugere a possibilidade de vermos mais de Kitty e Min Ho. Considerando que O Verão que Mudou a Minha Vida não tinha história além do terceiro livro e, ainda assim, ganhará um longa-metragem pelo Prime Video, é possível que a Netflix faça uma aposta semelhante após o sucesso da série.
Com carinho, Kitty, deixou desenvolvimentos em aberto, mas não de forma negativa, apenas mostrou como a vida, aos 18 anos, não é certa só porque você vai para a faculdade dos sonhos, ela tem muito mais a ser explorada e vivida.

