X-Men 97 | Segunda Temporada começa bem e depois se perde

O revival da animação X-Men: The Animated Series (1993) chega no seu segundo ano após o sucesso da primeira temporada. Trazendo uma animação mais madura em texto e traço, X-Men 97 impressiona por adaptar momentos icônicos dos quadrinhos. Nessa segunda temporada, presenciamos o arco de ascenção do Apocalipse em duas linhas temporais: no futuro, com parte da equipe, em especial Jean e Scott, auxiliando Nate Summers e um grupo de sobreviventes a lutar contra as forças de Apocalypse; e no passado, quando En Sabar Nur ainda era um líder rebelde lutando contra a opressão de um temido faraó. Contudo, o desempenho da temporada revelou um problema que já estava se estendendo desde antes do lançamento da série.

O ex-showrunner Beau DeMayo foi o responsável pelos episódios da primeira temporada, porém ele já estava em um processo judicial contra a Marvel por alegações de racismo, sexismo, homofobia e má conduta sexual nos bastidores da animação. Este, que também estava envolvido em outros projetos no estúdio como Blade e Cavaleiro da Lua, foi substituído pelo showrunner de What if que também assinou alguns episódios da série Miss Marvel, Matthew Chauncey. Nessa segunda temporada, a troca ficou nítida em determinados pontos.

Os quatro primeiros episódios exibem o primor que tornou X-Men 97 o sucesso que é. A animação é explosiva em cores, traços e esbanja nas possibilidades criativas que só animações podem ter. Contextualizada nos anos 90, a série não abandona o tom novelesco de seu prelúdio e nem tenta esconder a breguice da época. Pelo contrário, a temporada mantém o mesmo aspecto artístico da sua anterior com a diferença de ter decaído em termos de narrativa.

O arco de Apocalypse é bem centrado até o momento que En Sabah Nur assume o manto de seu alter ego. Ainda que os episódios mantenham a boa e velha discussão em família entre os X-Men, o roteiro não foge do que os está entrelaçando pelo espaço-tempo e nem do tamanho dessa ameaça, já que temos não só a presença do mutante mais antigo do mundo como também a presença de Celestiais e Kang como condutor do caos. O problema surge a partir do quinto episódio, quando arcos menores ofuscam o real embate.

Ao contrário da sua temporada anterior, que também contava com episódios que desviavam da história principal, mas que conseguia reunir pontos para uni-los de volta a unidade da temporada, essa aqui perde o foco quando entra conflitos políticos que serão os eventos futuros dos X-Men. Os episódios que desviam da ameaça de Apocalypse destoam do restante, demonstrando a nítida troca de roteiristas por trás, resultando numa finalização de arco que deixa a desejar.

Talvez pela escolha infeliz do número de episódios ou só pela falta de organização, o final da temporada termina com episódios corridos, conflitos confusos e um final agridoce com a sensação de que algo ficou de fora das resoluções. É o velho “e se”: E se tivesse mais um episódio para dar mais tempo de desenvolvimento? E se não houvesse certas escolhas no meio da temporada? Nunca saberemos a resposta, mas sabemos que a forma como a temporada finalizou deixou um pouco a desejar considerando o tamanho da ameaça que a equipe estava para enfrentar.

Ainda assim, a temporada acaba com um saldo positivo por arriscar em temática e conceito. É a obra da Marvel que consegue captar a essência da equipe original, trabalhando os conflitos sociais e ainda mantendo uma estética noventista. É uma pena que o desempenho tenha escancarado os problemas nos bastidores, mas que o futuro da equipe retorne aos eixos e consiga manter a qualidade pelas próximas temporadas.